A Falsa Aplicação da Doutrina da Depravação


Seja o que mais possa ser significado pela doutrina bíblica da depravação, certamente não significa que a responsabilidade moral pessoal é eliminada pela expiação. Mas é exatamente isto que aconteceria se o absolutismo ideal fosse levado à sua conclusão lógica. Pois sustenta, de modo inconsistente, que a pessoa é considerada responsável pela falta de fazer o bem quando somente males são possíveis. Isto significa que a pessoa não está livre para não pecar (até mesmo pela graça capacitadora de Deus). Significaria que Deus pede aos homens que façam aquilo que Ele sabe que não podem fazer (e que Ele não os ajudará a fazer) e considera-os culpados por não fazê-lo, de modo que possa perdoá-los por fazê-lo. Se o caso fosse assim, não seria uma tragédia moral; seria um tipo de divina comédia. Deus estaria forçando os homens a pecar somente a fim de poder perdoá-los. Nem pense nisso! Realmente, se o pecado for inescapável, neste caso Cristo não poderia ser impecável.

Mesmo que os homens não pudessem deixar de pecar com seu próprio poder, certamente são capazes de não pecar, mediante o poder capacitador de Deus. E decerto este poder está disponível para todos os homens que estão dispostos a recebê-lo. Se, pois, os homens devem ser condenados com justiça por não cumprirem seu dever, logo, deve haver algum modo possível de cumpri-lo. O pecado em geral talvez seja inevitável, mas cada pecado em particular poderia ter sido evitado. Ou seja: os homens inevitavelmente pecarão, mas não há nenhum pecado individual que não poderia ter sido resistido pela graça capacitadora de Deus. Mas, segundo a solução do absolutista ideal a um conflito de normas absolutas, Deus não fornece meio algum para evitar a culpa. O homem é pessoalmente responsável por um mal moral que não podia evitar. É verdade que onde a culpa deste tipo é inevitável, a graça do perdão está disponível. Mas a pergunta não é se pecados inevitáveis são perdoáveis; a pergunta é por que o maior bem que um homem pode fazer deve torná-lo culpado. Noutras palavras, conforme a posição do absolutista ideal, não há maneira de manter a justiça de Deus tendo em vista a responsabilidade humana.

Fonte: Livro a Ética Cristã. Norman Geisler.

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Teologia e Reino de Deus
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