A Bíblia diz que todo crescimento é gerado por Deus


A Bíblia atribui a Deus a origem de todo o crescimento. Em toda a Bíblia, vemos que tudo que precisa­mos na vida vem dele, e não de nós (At 17.28; 1Co 4.7). Essa rea­lidade essencial e esclarecedora nos ajuda a sermos humildes e a depender de Deus. Por exemplo, leia Salmos 119 inteiro de uma vez. Você terá um retrato da nossa dependência em relação à Pala­vra e, acima disso, à Deus; “Salva-me, pois a ti pertenço e busco os teus preceitos” (v. 94).

Quando vemos que a Bíblia atribui a Deus todo o crescimento, compreendemos que todo crescimento é espiritual. Nos grupos que estudam a Bíblia, nos que lidam com relacionamentos, nos que aju­dam as pessoas a superar a depressão ou dependências, qualquer coisa que fomente o crescimento, em última instância, vem de Deus.

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O crescimento pode ocorrer inclusive quando a Bíblia não é leva­da em conta, embora o processo tenha mais êxito ao contrário. Por exemplo, a pessoa pode estar envolvida em um grupo de apoio que não se baseia intencionalmente nos princípios bíblicos, mas inadver­tidamente os pratica. Como membros confiam uns nos outros. Com­partilham suas inseguranças e fraquezas. Com isso, descobrem que se sentem mais seguros e que seus mundos internos estão menos vazios e isolados. O grupo pode não saber, mas está aplicando a prá­tica bíblica da confissão (Tg 5.16), que abre a alma para que seja amada pelos outros. Isso nos mostra o quanto os princípios bíblicos são maravilhosos, poderosos e espirituais. Ao mesmo tempo, seria muito melhor para o grupo se ele soubesse que o que está fazendo vem da Bíblia! Então, seria capaz de render-se mais aos desígnios Daquele que criou o processo de crescimento.

Entretanto, algumas escolas cristãs de pensamento ensinam que se você conhecer bem a Bíblia, automaticamente crescerá espiritual­mente. Esses grupos em geral consideram o aconselhamento heréti­co e dizem às pessoas para, em vez disso, “se dedicarem à Palavra”. O estranho é que muitos desses grupos não praticam o que pregam. Em vez de dispensarem as pessoas exortando para que elas estudem mais, dão todo o apoio quando precisam, como ouvir, consolar e mostrar compreensão. Usam seu tempo tratando delas, reservando horas de sua semana para encontrá-las, dar-lhes uma estrutura para guiar suas vidas, como princípios sobre o certo e o errado e manei­ras organizadas de tomar decisões, ajudá-las no processo de perdão e orar com elas. Todas estas coisas, diz a Bíblia, ajudam as pessoas a crescer e, no entanto, no púlpito eles sempre dizem: “Tudo que você precisa é a Bíblia”. E um paradoxo interessante. Eles não pregam o que praticam.

A Bíblia prescreve o caminho do crescimento

A Bíblia apresenta claramente um processo para a busca da maturidade espiritual. Refere-se ao processo de diferentes for­mas, como a santificação (ser progressivamente destinado ao uso de Deus, Rm 6.19), a transformação (ser transformado interior­mente, Rm 12.2) e o crescimento (amadurecimento espiritual, 1 Pe 2.2). Em essência, a idéia é que fomos criados para nos tor­nar cada vez mais parecidos com aquilo que fomos criados para ser(2Co 3).

Os ELEMENTOS. Conforme discutimos amplamente no capítulo 2, as Escrituras ensinam que o relacionamento, tanto com Deus como com as pessoas (Ec 4.9-12), a verdade (Ef 4.15) e o tempo (Mc 4.26-29) devem estar presentes para que uma pessoa cresça. Sem­pre que alguém cresce espiritual ou pessoalmente, esses elementos estão operando.

As TAREFAS. Além disso, a Bíblia identifica as tarefas requeridas para o crescimento. Como confirmará qualquer pessoa que esteja aplicando os princípios bíblicos há algum tempo, o crescimento es­piritual não tem nada a ver com “desistir e entregar tudo nas mãos de Deus”. E um processo difícil e às vezes doloroso; no entanto, sem­pre vale a pena, pois “produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados” (Hb 12.11).

Vejamos algumas tarefas necessárias ao crescimento:

· Submissão e obediência a Deus (Rm 12.1). Isso significa que devemos entregar nossa vida a ele e a seus desígnios, em vez de termos nossa própria idéia de como a vida deveria ser.

· Necessidade e dependência (Pv 3.5,6). Devemos buscá-lo con­tinuamente como fonte de todas as nossas necessidades para a compreensão e o crescimento.

· Responsabilidade e domínio (Lc 9.23). Devemos assumir as tarefas e fardos daquilo que ele nos chamar a fazer na vida.

· Perdão (Mt 6.12-15). Isso significa tanto pedir perdão ao Deus e às pessoas como cancelar as dívidas que os outros têm conosco.

Essas tarefas devem ser feitas ao lado das disciplinas tradicionais do estudo da Bíblia e da oração.

Os RECURSOS. Finalmente, as Escrituras também apresentam os recursos disponíveis para o processo de crescimento. Deus, como acabamos de mencionar, é a fonte suprema de tudo o que precisa­mos; entretanto, também encontramos ingredientes para o cresci­mento em outros lugares. A Criação em si é uma fonte de coisas boas. Por exemplo, temos comida para nos sustentar (Gn 1.29), um trabalho para cumprir (Gn 1.28) e a natureza para nos mostrar a maravilha do Senhor (Sl 33.6). Muitas pessoas que buscam o pro­cesso de crescimento passam algum tempo perto da natureza regu­larmente para se sentirem mais próximas de Deus.

As pessoas são outro recurso importante do crescimento. A Bí­blia ensina que o cristão que não estiver profundamente ligado aos outros e a Deus não é um cristão completo (como vimos no capítulo 7). Fomos todos chamados para administrar fielmente a graça de Deus uns para os outros (1Pe 4.10). Em outras palavras, as pessoas também são uma fonte da graça de Deus necessária ao crescimento.

A Bíblia ajuda as pessoas a crescer

A Bíblia, por si só, é um dos recursos para o processo de cresci­mento. Tem muito a ensinar sobre o crescimento e está ativamente envolvida no crescimento. Vejamos como promove diretamente o amadurecimento.

Uma passagem central na qual a Bíblia fala de si mesma é 2Timóteo 3.16,17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na jus­tiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra”. Essa passagem apresenta quatro empregos da Bíblia com ênfases diferentes.

1. ENSINO. Os ensinos da Bíblia nos ajudam a entender os desíg­nios de Deus e seu relacionamento conosco. As pessoas precisam de estrutura para conhecer a Deus e saber como ele quer que o ame­mos e vivamos. Deus nos ensina as doutrinas e princípios sobre ele e sobre nós, como o Espírito Santo, a natureza do ser humano, o peca­do e a salvação. Ele também ensina muitas realidades sobre os rela­cionamentos, valores e o processo de crescimento em geral. Assim, temos uma visão geral da essência da vida espiritual. Ele nos orienta para uma vida segundo seus desígnios. Um estudo regular e sistemá­tico da Bíblia nos ajuda a entender essas verdades.

Por exemplo, um líder que fomente o crescimento espiritual de um grupo pode querer estudar o livro de Efésios sistematicamente, porque ele tem muito a ensinar sobre os relacionamentos. As pes­soas que sofrem por sentirem que Deus está distante, podem achar proveitoso estudar a natureza de Cristo em Colossenses, especial­mente a encarnação como pessoa, para conseguirem se identificar com ele.

2. REPREENSÁO. Entretanto, o ensino não basta para crescer. Nós nos perdemos, rebelamos, somos egocêntricos e estamos em nega­ção. Nem todo o estudo é suficiente para curar essas tendências. Então, precisamos de repreensão ou reprovação, para sermos con­frontados sobre as nossas transgressões. Da mesma forma que um pai precisa confrontar o filho clara e diretamente sobre uma má ação,
precisamos ser repreendidos por nossos erros.

A Bíblia tem muitas passagens que realizam essa função. Natural­mente, elas são mais diretas e exortativas do que informativas ou confortadoras. Chamam a nossa atenção e a direcionam para um problema. Por exemplo, a Bíblia reprova a nossa tendência de limi­tar nosso amor e afeto para com os outros (2Co 6.11-13). Jesus reprova os pecados da presunção e do orgulho (Lc 18.10-14).

De fato, Deus pode usar qualquer parte das Escrituras para nos reprovar quando é preciso, inclusive aquelas que não foram escritas com essa intenção, por causa da obra iluminadora do Espírito Santo (Jo 16.12-15; v. cap. 6 deste livro). Usando uma determinada passa­gem, o Espírito pode abrir os nossos olhos para uma certa área de nossa vida que seja preocupante e ajudar a nos arrepender e mudar de rumo. Muitas pessoas já passaram pela experiência na qual um versículo conhecido da Bíblia, que simplesmente “veio à mente”, as reprovava em relação a algum problema com o qual estavam lidando.

Durante um período da minha vida, engajei-me em várias atividades religiosas, mas estava fazendo tudo por conta própria, sem consultar a Deus, sem contar conscientemente com sua ajuda e força. Era um modo de agir auto-suficiente. Um dia, li João 5.19: “Jesus lhes deu esta resposta: ‘Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz”. Já tinha lido essa passagem antes, mas dessa vez ela me mostrou o quanto Jesus era dependente, enquanto eu agia como um cavaleiro solitário. O versículo reprovava o meu distanciamento de Deus e me ajudou a mudar isso.

Tenha cuidado, porém, com a forma com que você usa a Bíblia para reprovar. Algumas pessoas foram seriamente feridas pelos “blasfemadores da Bíblia” que usam as exigências de Deus para co­locar as pessoas ainda mais sob a lei. Como disse uma vez um pro­fessor que tive no seminário: “É fácil pregar a lei; difícil é pregar a graça”. Use a Palavra gentil e fielmente, no momento apropriado e na medida certa. Ao mesmo tempo, às vezes, a reprovação é neces­sária. Já vi muitos processos de crescimento darem errado porque alguém teve medo de reprovar a pessoa por causa de suas próprias ansiedades. Seja brando e verdadeiro.

3. CORREÇÃO. A palavra grega corrigir significa “endireitar”. No caso, quer dizer reparar o erro de alguém, não necessariamente um erro devido ao pecado ou à rebelião, mas o que é cometido por igno­rância ou inconscientemente.

Como na reprovação, a Bíblia pode corrigir nossa forma de agir pelas passagens sobre correção ou simplesmente pela obra do Espí­rito. Um bom exemplo de uma passagem sobre correção é 1 Coríntios 5.12 e 13. Nela, Paulo corrige a idéia de que os crentes devem julgar os não crentes e diz que devemos ser mais rígidos com nossos semelhantes dentro da igreja.

A Bíblia também pode abrir os nossos olhos e nos corrigir com outras passagens. Eu estava num grupo com um homem que queria desesperadamente viver a vida de Deus e era muito comprometido com ele. No entanto, alguns hábitos prejudicavam sua caminhada com o Senhor, sendo que um deles era a pornografia. O homem tentou várias coisas para lidar com seu vício, inclusive render-se, orar, buscar grupos de responsabilização e de estudo da Bíblia sobre a luxúria. Tudo isso ajudava, mas o pecado sempre acabava voltando e, na melhor das hipóteses, durava pouco tempo. Ele estava desanimado.

Uma noite, quando falávamos sobre o seu vício, 1 Coríntios 13.11 veio à minha mente, que diz, entre outras coisas: “Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino”. Citei o versículo para o meu amigo e expliquei como achava que ele se aplicava ao seu caso: “Acho que você está colocando a carroça na frente dos bois. Você quer se livrar desse vício, mas a sua capacidade de receber amor e apoio está debilitada. Essa debilidade impede que você se torne o homem pleno que Deus quer que seja. E uma parte ferida e imatura que você tem. Acho que você busca a pornografia para se apropriar do amor que não se sente seguro para receber das pessoas. Gostaria que você continuasse com todas as disciplinas que está praticando, mas tam­bém que tratasse do problema de se manter fechado para a graça de Deus e das pessoas. Vamos ver o que acontece então”.

Meu amigo compreendeu o que eu quis dizer imediatamente. Ele se esforçou para se tornar uma pessoa aberta e acessível. Por exem­plo, quando ele se sentia solitário ou sofria algum estresse no traba­lho, ligava para os amigos em busca de amor e apoio, em vez de extravasar sexualmente. Com o tempo, sua obsessão desapareceu completamente. Ele ainda fala dessa passagem da Bíblia como um momento decisivo para ele, no qual Deus corrigiu seu erro de tentar parar de pecar sem crescer.

4. INSTRUÇÃO NA JUSTIÇA. Justiça significa “retidão”. Quando usada no contexto do crescimento, refere-se a nos tornarmos pes­soas santas, maduras e retas. A Bíblia nos instrui nesse processo.

Devemos aprender a nos afastar do mal e fazer o bem (Sl 34.14). Ela produz o fruto da sabedoria e do discernimento (Pv 2.2). Ela consis­te do aprofundamento e do amadurecimento (Hb 6.1,2).

Ao escrever este capítulo, perguntei aos meus filhos Ricky, de 11 anos, e Benny, de 9, o que faltaria se não existisse a Bíblia. Eles disse­ram: “Não saberíamos o que é certo e o que é errado”. É um bom resumo do propósito da instrução na justiça!

 

Por Henry C. e John Townsend

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