O Purgatório segundo Lutero


 

Diversamente do que se imagina, Martinho Lutero, fundador do Protestantismo, não contestou a doutrina do Purgatório nem tampouco as indulgências nas suas famosas 95 teses[36], mas unicamente a sua venda abusiva. Treze de suas teses fazem referência direta ao Purgatório.

Nas suas alegações doutrinais, Lutero não questiona a autenticidade do Purgatório, mas a incoerência dos líderes da Igreja de Roma em lucrar com a venda de indulgências. O ex-monge criticou, por exemplo, na 10ª tese, a prática das penitências canônicas impostas pelos padres aos fiéis moribundos para que estes as cumprissem no Purgatório: "Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas."

Lutero estava convencido que os padres não tinham autoridade para transformar a penitência dos fiéis em penas a serem cumpridas no Purgatório. É o que ele sustenta na 11ª tese: "Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo".

Para ele, o Purgatório parece ser um lugar de horrores: "Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero". (15ª tese). No entanto, na tese seguinte, ele define-o como um lugar de "quase desespero", pouco abaixo da "certeza" do Céu.

Assim, a partir da 16ª tese, Martim Lutero define o que supõe ser o Purgatório e o estado das almas que nele se encontram: "Inferno, Purgatório e Céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza. Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor."

Para ele, as almas que estão no Purgatório são plenamente capazes de crescerem no amor e de alcançarem méritos divinos. É isso que Lutero sustenta nas teses 18 e 19: "Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no Purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor. Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do Purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto".

As críticas de Lutero não eram contra o Purgatório, mas o uso que se fazia dele para manipular os fiéis financeiramente. Sua 22ª tese vai nesse sentido: "Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida”. De modo semelhante, a 25ª tese questiona a autoridade do Papa sobre as penas do Purgatório: “Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d’almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular".

Na 29ª tese, Lutero demonstra acreditar que nem todas as almas do Purgatório querem, a priori, a purificação. "E quem sabe se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com São Severino e São Pascoal".

Assim, para ele, as almas do Purgatório só serão de fato purificadas quando arrependerem-se. Sua 35ª tese parece sugerir isso: "Ensinam de maneira ímpia os que alegam que aqueles que querem livrar almas do Purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar".

Para Lutero, a autoridade do Papa não se estende ao Purgatório, uma vez que não poderia livrar os fiéis das penas purificatórias. É o que ele questiona na sua 82ª tese: "Por que o Papa, movido por santíssima caridade, não tira duma só vez todas as almas do Purgatório, e em face da mais urgente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da basílica de São Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante insignificante?".

 

Fonte Wikpédia.

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